sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CELEBRAR O MÊS DA BÍBLIA

Celebrar o Mês da Bíblia é uma oportunidade de nos familiarizarmos sempre mais com o texto sagrado, pois não só o ouvimos na liturgia, mas em nossas leituras e meditações pessoais ou nos círculos bíblicos e grupos de reflexão nos alimentamos com o livro indicado para cada ano.

O Espírito de Deus não só inspirou os autores sagrados para que escrevessem os livros, mas continua de algum modo misterioso a inspirar a Igreja e os cristãos, quando leem a Bíblia. Na Sagrada Escritura, Deus se nos revela e o Espírito Santo nos ajuda a aprofundar o mistério nela contido e a realizá-lo em nossa vida cotidiana. Misterioso colóquio entre um Deus que nos fala e nos dá a graça de lhe respondermos, na leitura orante das Escrituras!

A leitura e meditação do Evangelho de Lucas, proposto para este ano, são grande força para nossa vida de discípulos missionários.

O lema: "Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido" (Lc 15) soa como um convite para que a catequese seja realmente missionária. Partindo da realidade e da vida dos catequizandos, manisfestemos-lhes a misericórdia e a bondade de nosso Deus, alegrando-nos por possibilitar o encontro de cada um com a pessoa viva de Jesus Cristo.

Que a animação bíblica de toda pastoral, tão almejada pela Igreja no Brasil, tenha a grande contribuição de todos nós, catequistas, e que não nos cansemos de prosseguir na missão tão gratificante de fazer da palavra de Deus luz e farol no caminho e na vida de tantas pessoas a nós confiadas.

fonte: Revista Ecoando.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Encontro Regional Animação Bíblico-Catequética Reg.Leste 1

A Comissão de Iniciação para a Vida Cristã da Arquidiocese de Niterói, representadas pela Irmã Inês e membros dos Vicariatos de nossa Arquidiocese, participou do Encontro Regional nos dias 16, 17 e 18 de agosto de 2013, na Bethânia - Casa de Encontros e Oração, em Vassouras RJ.

Participaram o bispo referencial da Catequese, Padres, assessores, catequistas do Estado do Rio de Janeiro.

Dias de convivência fraterna partilhando a fé, alegrias e esperanças de uma catequese renovada frente aos desafios da evangelização em nossos dias, sejam com crianças, adolescentes, jovens e adultos.

O Encontro aconteceu tendo como Temas:
1- JMJ- Catequese, participação, impressões
2- Ano da Fé - Caminhos das novas orientações para catequese (Pe.Décio).
3- Evangelho de Lucas
4- O perfil do catequista: Ano da Fé, JMJ, dentro das novas orientações para a catequese (Ir.Lúcia).
5- Escola catequética paroquial (Ir.Sueli).
6- Palavra do Bispo referencial da Catequese.
7- Compromissos.

Postamos algumas fotos do Encontro.















































segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ELE CHAMA AS OVELHAS PELO NOME E AS CONDUZ À PASTAGEM - Jo 10,3

RECOMEÇAR A PARTIR DE CRISTO.

A Festa de São Pio X (21 de agosto) é a ocasião de, juntos, darmos graças a Deus por esse belo ministério eclesial, em que a Palavra se torna compreensível e significativa para a vida de tantas crianças, tantos jovens e adultos. [...]. O caminho que estamos percorrendo como Igreja, a fim de encontrar as atitudes próprias, que tornem possível uma evangelização orientada para todos, e não para que só alguns tenham vida em plenitude.

Diz o então Cardeal Bergoglio: "Escrevo a vocês consciente das enormes dificuldades que essa tarefa representa. A transmissão da fé nunca foi um trabalho simples, mas, nestes tempos de mudança, o desafio é ainda maior:

Nossas tradições culturais já não se transmitem de uma geração à outra com a mesma fluidez que no passado. Isso afeta, inclusive, esse núcleo mais profundo de cada cultura, constituído pela experiência religiosa, que parece agora igualmente difícil de ser transmitido através da educação e da beleza das expressões culturais, alcançando inclusive a própria família que, como lugar do diálogo e da solidariedade intergeracional, havia sido um dos veículos mais importantes da transmissão da fé. (Dap.n.39).

Necessitamos "recomeçar a partir de Cristo, a partir da contemplação de quem nos revelou em seu mistério a plenitude do cumprimento da vocação humana e de seu sentido". (Dap, n.41). Só colocando nosso olhar no Senhor poderemos cumprir Sua missão e adorar Suas atitudes.

Uma das contribuições mais lúcidas da recente Assembleia de Aparecida foi a de tomar consciência de que, talvez, o maior perigo da Igreja não deve ser buscar do fora dela, mas no interior dos seus próprios filhos; na eterna e sutil tentação de se defender, de se fechar para se sentir protegido e seguro.

A Igreja não pode retroceder diante de quem só vê confusão, perigos e ameaças, ou de quem pretende cobrir a variedade e complexidade de situações com uma capa de ideologias desgastadas ou de agressões irresponsáveis. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, fazendo-o a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo que suscite discípulos e missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de novos homens e mulheres, que encarnem tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários do Seu Reino, protagonistas de vida nova para a uma América Latina que quer se reconhecer com a luz e a força do Espírito.

Não resistiria aos embates do tempo uma fé católica reduzida a um conjunto de itens de uso pessoal, a um elenco de normas e proibições, a práticas de devoção fragmentadas, a adesões seletivas e parciais da verdade da fé, a uma participação ocasional em alguns sacramentos, à repetição de princípios doutrinais, a moralismos brandos ou ríspidos que não convertem a vida dos batizados. Nossa maior ameaça "é o pragmatismo cinza da vida cotidiana da Igreja, na qual tudo ocorre com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez" (Joseph Ratzinger-Bento XVI): "Situação atual da fé...",1996). A todos nós compete recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que "não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva" (Dap.n.12).

Centrar-nos em Cristo deve, paradoxalmente, nos descentralizar. Porque, onde há verdadeira vida em Cristo, há solução em nome de Cristo. Isso é recomeçar autenticamente em Cristo! É reconhecer que somos chamados por Ele para estar com Ele, para ser seus discípulos, mas para experimentar a graça do envio, para sair a anunciar, para ir ao encontro do outro. (Mc 3,14). Recomeçar a partir de Cristo é olhar para o Bom Mestre que nos convida a sair do nosso caminho habitual para fazer do que acontece às margens do caminho, na periferia, experiência de proximidade e verdadeiro encontro com o amor que nos faz livres e plenos.

"Um elemento que deve ser levado em conta para orientar a catequese é que o recebido deve ser anunciado (cf.1Cor 15,3). O coração do catequista se submete a esse duplo movimento: centrípeto e centrífugo (receber e dar). Centrípeto quando "recebe" o querigma como dom, acolhendo-o no centro do seu coração. Centrífugo, quando o anuncia com uma necessidade existencial ("ai de mim se não evangelizar").
O dom do querigma é missionário: nessa tensão se move o coração do catequista. Trata-se de um coração eclesial que "ouve religiosamente a Palavra de Deus proclamando-a com confiança" (DV. 1).

Permita que eu insista sobre isso com vocês. Pelo fato de serem catequistas, por acompanharem o processo de crescimento da fé, por estarem comprometidos com o ensino, o "tentador" pode fazê-los acreditar que o seu âmbito de ação se reduz ao interior da vida eclesial, levando-os a permanecer em torno do templo, do adro. Isso geralmente acontece. Quando nossas palavras, nosso horizonte, têm a perspectiva de quem se fecha no seu pequeno mundo, não devemos nos assustar que nossa catequese perca a força do Querigma e se transforme num insípido ensinamento de doutrinas, na frustrante transmissão de normas morais, na experiência desoladora de semear inutilmente.

Por isso, "recomeçar a partir de Cristo" é imitar concretamente o Bom Mestre, o único que tem Palavra de Vida Eterna, e sair uma e mil vezes a caminho, em busca das pessoas em suas mais diversas situações.

"Recomeçar a partir de Cristo" é olhar para o Bom Mestre, para Aquele que soube se diferenciar dos rabinos do seu tempo porque seus ensinamentos e seu ministério não permaneciam presos no templo. Mas Ele foi capaz de se "fazer caminho", saiu ao encontro da vida do seu povo, a fim de torná-lo participante das primícias do reino.(cf. Lc 9,57-62).

"Recomeçar a partir de Cristo" é orar em meio a uma cultura agressivamente pagã, para que a alma não definhe, o coração não perca seu calor e a ação não se deixe invadir pela covardia.

"Recomeçar a partir de Cristo" é sentir-se interpelado por sua palavra, por seu envio; e não ceder à tentação minimalista de se contentar apenas em conservar a fé e ficar satisfeito por que alguns continuam frequentando a catequese.

"Recomeçar a partir de Cristo" significa empreender continuamente a peregrinação à periferia. Como Abraão, modelo do peregrino incansável, cheio de liberdade, sem medo, porque confiava no Senhor. Ele era sua força e sua segurança, por isso soube não parar na sua caminhada, porque o fazia na presença do Senhor. (cf. Gn 17,1).

Além disso, na vida de todo cristão, de todo discípulo, de todo catequista, não falta a experiência do deserto, da purificação interior, da noite escura, da obediência da fé, como a viveu nosso pai Abraão. Mas aí também está a raiz do discipulado. Os cansaços do caminho não podem acovardar e deter nossos passos, pois isso equivaleria a paralisar a vida. Recomeçar a partir de Cristo é se deixar arrancar do conforto, para não se prender ao adquirido, ao seguro, ao de sempre. E porque só em Deus descansa a minha alma, por isso saio ao encontro das almas.

"Recomeçar a partir de Cristo" supõe não ter medo da periferia. Aprendamos de Jonas. Sua figura é paradigmática neste tempo de tantas mudanças e incertezas. É um homem piedoso. Que tem uma vida tranquila e ordenada. Mas da mesma forma como, às vezes, esse tipo de espiritualidade pode nos trazer tanta ordem, tanta claridade no modo de viver a religião, pode também nos levar a enquadrar rigidamente os lugares de nossa missão, a cair na tentação da segurança do "foi feito sempre assim". E o assustado Jonas, Ele o enviou a Nínive em meio a crise, desconcerto, medo. Era uma convocação para se lançar ao desconhecido, ao que não tem resposta, à periferia do seu mundo eclesial. E por isso o discípulo quis escapar da missão, preferiu fugir.

As fugas não são boas. Muitas escondem traições, renúncias. E geralmente têm semblantes tristes e diálogos amargos. (cf. Lc 24,17-18). Todo cristão, todo discípulo, todo catequista deve estar pronto a partir à periferia, a sair dos seus esquemas; do contrário, não poderá ser a testemunha do Mestre; e, ao contrário, se converterá em pedra de escândalo para os demais. (cf. Mt 16,23).

"Recomeçar a partir de Cristo" é ter em todo momento a experiência de que Ele é nosso único pastor, nosso único centro. Por isso, concentrar-se em Cristo significa "sair com Cristo". Assim, nossa saída à periferia não será nos afastarmos do centro, mas permanecer na videira e dar, dessa maneira, verdadeiros frutos em Seu amor. (Jo 15,4). O paradoxo cristão exige que o discípulo, em seu itinerário do coração, precise sair para poder permanecer, mudar para poder ser fiel.

Por isso, desde aquela bendita madrugada histórica de domingo, ressoam no tempo e no espaço as palavras do anjo, o anúncio da ressurreição: "Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse" (Mc 16,7). O Mestre sempre nos precede, Ele vai adiante (Lc 19,28) e, por esse motivo nos coloca no caminho, nos ensina a não ficarmos quietos. Se há algo mais oposto ao acontecimento pascal é o dizer: "Estamos aqui, que venham". O verdadeiro discípulo conhece e guarda esse mandato que lhe dá identidade, sentido e beleza à sua fé: "Ide..." ((Mt 28,19). Então, sim, o anúncio será querigma; a religião, vida plena; o discípulo, autêntico cristão.

No entanto, a tentação do fechamento em si mesmo, do medo paralisante, acompanhou também os primeiros passos dos seguidores de Jesus: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo..."(Jo 20,20). Hoje, como no passado, podemos ter medo. Hoje também, muitas vezes, estamos com as portas fechadas. Reconheçamos que estamos em dívida.

Hoje, quando agradeço por toda a sua entrega, querido catequista, me animo, uma vez mais, para lhe pedir: sai, deixa a caverna, abre as portas, anime-se para percorrer novos caminhos. A fidelidade não é repetição. Há a necessidade que você não deixe de pedir criatividade e audácia ao Senhor, para atravessar muralhas e esquemas, de maneira a possibilitar, como aquela saga de Paulo e Barnabé, a alegria de muitos irmãos. (At 15,3).

Convido a você a, mais uma vez, voltarmos nosso olhar e nossa oração à Virgem. Peçamo-lhe que transforme o nosso coração vacilante e temeroso, para que, como São Paulo, tornemos realidade uma Igreja fiel, que conhece feridas, perigos e sofrimentos por ter descoberto que, quando o amor nos impele, tudo é pouco para que se anuncie, na periferia, a Boa-Nova de Jesus. (2Cor 11,26).

Peço-lhe, por favor, que reze por mim para que eu também seja um bom catequista. Que Jesus abençõe você e a Virgem o proteja.
Fonte: Anunciar o Evangelho, mensagem aos catequistas.



segunda-feira, 8 de julho de 2013

ESPIRITUALIDADE - MODO EFICAZ DE REZAR

EXAME ESPIRITUAL DIÁRIO - Aprendendo a rezar a vida cotidiana.

Com frequência nos olhamos no espelho para conferir nosso visual; menos frequentemente fazemos um exame de sangue para averiguar a nossa saúde... E a nossa espiritualidade, como anda? Como vai a nossa fidelidade ao seguimento de Jesus, às promessas do nosso batismo, à vivência do amor a Deus e ao próximo?

Santo Inácio de Loiola (1491-1556), nas busca de uma espiritualidade adaptada às condições do homem moderno, desenvolveu os seus chamados Exercícios Espirituais, que constituem um caminho de oração e discernimento por meio do qual, em 30 dias, a pessoa pode melhor contemplar e conhecer Jesus Cristo e orientar a própria vida para a vivência do evangelho nas situações concretas do cotidiano.
Em seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio propõe vários métodos de oração e meditação.

Entre eles, encontra-se o exame espiritual diário (EE 24-43), que consiste no hábito de rever a própria vida à luz do Espírito Santo, a fim de cuidarmos da obra de amor e santidade que Deus quer realizar em nós. A prática fiel do exame espiritual amplia nossa consciência sobre nosso projeto pessoal de vida e nos torna atentos para os pontos de crescimento e queda do nosso relacionamento com Deus, com os irmãos e com nós próprios. Trata-se de um modo bastante eficaz de rezar a própria história e deixar que Deus trabalhe nela, para transformá-la cada dia.

Santo Inácio nos dá as seguintes recomendações:

  • Logo de manhã, ao levantar-se, abrindo o coração para o auxílio do Espírito Santo, estabeleço um propósito para o meu dia: praticar um gesto de amor, evitar um vício, corrigir um defeito pessoal...
  • Em outro momento do dia (numa hora tranquila à tarde ou à noite), faço o exame espiritual propriamente dito, verificando munha fidelidade ao propósito firmado logo cedo.

a) Começo invocando o Espírito Santo, pedindo a sua luz para que eu possa me olhar com os olhos amorosos de Deus, reconhecendo a obra que ele deseja realizar em mim, assim como rejeitando as tentações e insinuações do mal. Essa invocação pode ser feita apenas mentalmente ou por meio de alguma repetição vocal. Pode-se pensar ou pronunciar suavemente a prece "Vem Espírito Santo" a cada expiração.
Pode-se também cantar um mantra, como "A nós descei, Divina Luz", "Ó Luz do Senhor, que vens sobre a terra, inunda meu ser permanece em nós", "Indo e vindo e vindo, trevas e luz, tudo é graça Deus nos conduz", "Vem, Espírito Santo, vem,vem iluminar" ou outro. É importante que o corpo esteja numa posição confortável e o ambiente tranquilo para a oração.

b) Agradeço a Deus pelo que aconteceu de bom em mim, na vida do meu próximo, no mundo, durante aquele dia.

c) Verifico o meu dia com os olhos da fé, repassando hora por hora desde o momento em que despertei:

  • recordo aquilo que mais me marcou: as consolações (alegria, paz, realização, motivos de esperança...) e as desolações (tristeza, frustração, medo, vazio...);
  • analiso as experiências vividas, procurando descobrir seus motivos e quais foram minhas reações (aceitação? passividade? recusa?);
  • medito se, em minhas reações, deixei-me mover pelo impulso de amor da graça de Deus.

d) Agradeço ou peço perdão ao Senhor pelo bem que fiz ou deixei de fazer.

e) Percebo aquilo que Ele me sugere interiormente, para que eu possa corrigir-me.

f) Proponho-me seguir essa sua inspiração e tomo uma resolução para o futuro, procurando permanecer fiel na prática da vontade de Deus. Vivo a alegria de confiar-me a ele e depositar nele minha esperança para as próximas horas.

g) Concluo com um Pai-Nosso.

Santo Inácio recomenda fazer uso de anotações para termos mais clareza de nosso estado espiritual - frequentemente, os pensamentos se confundem e se perdem. Ajuda, por exemplo, fazer uma tabela com quatro colunas, anotando o fato vivido, o sentimento (consolação, desolação), o motivo e a reação. Assim, vamos tendo também uma espécie de "relatório" de nossa dinâmica espiritual, para que possamos nos conhecer melhor e ter maior consciência de nossa vida interior.

Essa revisão de vida também pode ser feita utilizando algumas estratégias criativas, como repassar a própria vida observando:
a) os dez mandamentos (cf. Ex 20,2-17; Dt 5,6-21), confrontando cada um com as experiências vividas ao longo do dia;

b) as nove bem-aventuranças evangélicas (cf. Mt 5,3-12);

c) os cinco sentidos:

  • a visão (o que recebi pelos meus olhos hoje? Ao que fechei os olhos para não ver, mas deveria enxergar?);
  • a audição (o que ouvi de bom? A que coisas devo fechar ou abrir meus ouvidos?);
  • o tato (o que toquei hoje para fazer o bem? Com que intenção toquei as pessoas e as coisas hoje?;
  • o olfato (que 'aromas' estavam no ar hoje: bondade? malícia? Qual me agradou mais? o 'bom odor de Cristo? ou o cheiro do lobo em pele de ovelha?);
  • o gosto (como saboreei a ação de Deus em minha vida? Tive alguma desordem no comer ou no beber? Fui causa de gosto ou de desgosto para meus irmãos?);

d) os sete pecados capitais e as sete virtudes contrárias, examinando as ocasiões em que ocorreram durante o dia:

  • orgulho x humildade;
  • inveja x amor ao próximo;
  • ira x mansidão; 
  • preguiça x comprometimento; 
  • avareza x generosidade; 
  • luxúria x castidade; 
  • gula x autodomínio; 
e) as pessoas de nossa casa, de nosso trabalho, de nosso convívio diário;

f) as notícias que recebi durante o dia: o que fiquei sabendo que aconteceu com meus familiares e conhecidos, com pessoas de minha cidade, de minha paróquia, da minha comunidade e de outros países? O que posso fazer de concreto para ajudar, ainda que seja pouca coisa?

Reflexão: Você já fez algum exame da sua vida espiritual?
Com que frequência seria ideal realizar esse tipo de exame?

Fonte: Giovanne Marques Santos; O Catequista deixa-se conduzir pelo Espírito.
Revista Ecoando. Espiritualidade.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O CATEQUISTA APRIMORA O "FAZER" CATEQUÉTICO

Quem sou eu e como me encontro? O que Deus espera de mim?
O que fazer para realizar o que Deus quer de mim e ser feliz?
FORMAÇÃO METODOLÓGICA -
OS JOVENS E O PROJETO PESSOAL DE VIDA

Preparar o ambiente - Deixar uma gravura de Jesus, a Bíblia e a frase: "A vida é dom de Deus" rodeadas por várias gravuras de jovens.

Acolhida e motivação - O catequista recebe, com alegria, os jovens e propõe uma reflexão sobre o Projeto Pessoal de Vida. Conta-lhes o seguinte episódio:
- Conheço um jovem, Paulo Fernando, que tem 17 anos. Numa aula de filosofia, o seu professor, ao falar sobre "identidade", mostrou que muitas pessoas vivem sem ela, mesmo tendo o documento RG. Algumas vivem em crise de identidade e outras, identificando-se com o seu tempo de adolescência, acreditam que a sua vida será uma eterna adolescência. O professor acrescentou ainda que até mesmo os cristãos estão perdendo a sua identidade.
Paulo Fernando, confuso com as palavras do professor, um dia perguntou-me:
- O que é identidade? O que é crise de identidade? Por que o adolescente se preocupa com sua identidade? O cristão tem uma identidade?
O que vocês responderiam a paulo Fernando? (dar tempo para o grupo se manifestar).

Reflexão do catequista.
Uma pergunta que todos nós fazemos e que na adolescência e juventude nos preocupa mais é: Quem sou eu?
Quando tentamos dar essa resposta, estamos juntando várias características exclusivas e próprias de cada um de nós que nos diferenciam das outras pessoas. Estas marcas é que fazem a nossa "diferença" e dão a nossa "identidade". São elas que nos fazem reconhecidos no meio de muita gente.
A fé cristã nos ensina que a vida é obra e dom de Deus. Como cristãos, nossa primeira vocação é acolher este dom e fazer com que nossa vida seja parecida com o sonho de Deus ao nos criar. Fomos criados como seres de relação: como nós mesmos, com os outros, com as coisas criadas e com Deus. Quanto mais crescermos nestas relações, mas felizes seremos. Daí a importância de valorizarmos nossa vida, agradecer a Deus por ela e colaborarmos com Deus aprimorando a sua obra.

O jovem cristão, desejando a própria felicidade, é protagonista da construção da sua própria história e da sociedade em que vive. Por isso, é necessário organizar e planejar os rumos da sua vida, pensar e colocar as bases para viver um processo de crescimento. A elaboração do projeto Pessoal de Vida, pautado no evangelho, ajuda-nos a crescer e ser felizes. A realização do projeto de vida é experiência saudável e estimulante para toda pessoa, mas para um (a) jovem é como fonte de inspiração para os ideais e as ações que certamente trarão felicidade para ele e para outros(as).

Para elaborar um projeto de vida, é imprescindível estabelecer objetivos, metas, caminhos a seguir a curto, médio e longo prazo.
Há alguns passos a serem seguidos:

1- Quem sou eu e como me encontro?
- recordo minha história pessoal (conversar com pais, familiares sobre fatos ocorridos desde o meu nascimento); analiso as relações comigo mesmo, com os outros, com os acontecimentos na família, na escola, no grupo de amigos, no namoro e na profissão, as quais influenciam minhas escolhas.
- Situo-me num contexto mais amplo: levantar as marcas positivas e negativas sociais, políticas, culturais e religiosas que envolvem minha vida;
- Faço uma lista de valores e ideais nos quais acredito e que orientam minha vida;
- Tomo consciência da  
visão que tenho sobre Jesus Cristo, Igreja Reino de Deus etc.

2- O que Deus espera de mim?
- Confronto a minha vida atual com o que Deus espera de mim e tomo consciência da vontade atual de Deus sobre a minha vida. Recordo alguns textos bíblicos e do ensinamento da Igreja que ajudem neste discernimento.
- O que Deus espera de mim e qual o meu sonho de realização pessoal e cristãos?

3- O que fazer para realizar o que Deus quer de mim e ser feliz?
- Determino ações bem concretas a serem realizadas em determinados prazos: nesta semana, no mês, até o final do ano, ações possíveis para não cair no desânimo.

Leitura Bíblica: Lc 4,18-19 (o projeto de Jesus)
Reflexão individual: criar um clima de silêncio com uma música de fundo e distribuir um esquema do Projeto Pessoal de Vida a cada jovem.
Partilha da Palavra.
Leitura individual do esquema do projeto pessoal de vida.
Reflexão em grupo: partilhar a importância do projeto e fazer uma síntese dos questionamentos.
Complementação do catequista e sugestão para que cada jovem reserve um tempo, durante a semana, para elaborar seu projeto pessoal de vida.

Oração:

Cremos, Senhor, que nos criaste para a felicidade e nos chamaste para semeá-la entre outros jovens. Ajuda-nos a viver as bem-aventuranças dos jovens:
- Felizes os jovens que confiam no teu amor; felizes os que buscam a verdadeira felicidade.
- Felizes os jovens que, sinceramente, vivem com a dignidade de batizados; felizes os que respeitam a dignidade das pessoas de todas as idades.
- Felizes os jovens que sabem escolher o melhor caminho no seu dia a dia; felizes os que são agradecidos pelos bons conselhos que recebem;
- Felizes os jovens que conservam as esperança; felizes os que sabem testemunhar o teu amor num mundo tão violento e carente de felicidade.
Senhor, reforça nossa certeza de que, acreditando em ti, fonte do amor, e seguindo teu Filho, caminho, verdade e vida, na força do Espírito Santo, seremos felizes e realizados.
Amém!
Fonte: Ir. Mary Donzellini, mjc em Formação Metodológica.

UMA CATEQUESE ACOLHEDORA E AFETIVA PARA CATEQUIZAR OS JOVENS


É muito comum ouvirmos catequistas nas nossas comunidades dizer que não querem assumir turmas de jovens por se sentirem incapazes ou despreparados para tal missão.
Muitos deles temem começar e não dar conta da tarefa. Dizem que o trabalho com jovem é muito complexo e desafiante. Outros argumentam que não sabem falar a "linguagem" dos jovens e, por isso mesmo, não se arriscam a catequizá-los. Isso tudo tem pouco de verdade.

De fato, a catequese com jovens é bastante diferenciada da catequese de iniciação de crianças, tanto nos seus conteúdos quanto no seu método. Não pode ser simples transposição de conteúdos infantis "melhorados" e mais aprofundados...
É preciso que o catequista contemple uma série de temas e vivências muito próprias do mundo juvenil para que sua palavra encontre algum eco entre seus catequizandos jovens. Quanto ao jeito de catequizar, aqui se exige uma série de "conversões" a um estilo todo apropriado e diversificado de fazer acontecer o processo evangelizador e catequético.

Qual catequista?
Em primeiro lugar, há que pensar na idade e experiência de vida do catequista. Ainda que o critério "idade cronológica" não seja decisivo nem restritivo a um bom trabalho, a experiência tem mostrado que certa identificação catequista-catequizando favorece certamente o processo; isto é, o chavão "jovem evangeliza jovem" tem alguma razão de ser. Sempre que possível, a comunidade eclesial deve investir na seleção e formação de alguns jovens para enviá-los a outros jovens como educadores da fé.

Mas, para isso, é necessário que esse catequista jovem tenha aderido consciente e alegremente à vida eclesial, no seguimento de Jesus Cristo e na experiência espiritual do encontro com ele, de modo que dê um testemunho coerente da fé na comunidade e na vida social. Isso pressupõe que este jovem tenha passado por fecunda catequese, participe dos sacramentos, esteja engajado na caminhada das pastorais da Igreja e, sobretudo, seja boa referência de fé nos mais diversos ambientes que frequenta (escola, trabalho, lazer etc.).
É interessante que seja um pouco mais velho que seus catequizandos, mas participe de seu mundo, conheça bem seus costumes, esteja inteirado da linguagem e da cultura juvenil dos dias atuais.

Nada impede que um catequista bem mais velho assuma a condução de um grupo de jovens se ele estiver aberto ao diálogo e a uma caminhada de trocas de experiências e vivências de fé. Um catequista que já tenha se casado, por exemplo, e também tenha filhos jovens pode agregar muito aos jovens catequizandos, desde que saiba lidar bem com eles, não tenha preconceitos contra os costumes e comportamentos dos jovens, não seja conservador na sua metodologia, mas saiba diversificar o jeito de catequizar e tratar adequadamente dos assuntos e temas mais relevantes ao interesse e necessidade dos jovens.

Que catequese?
Uma catequese acolhedora e afetiva é imprescindível, já que vivemos em um contexto cultural bastante controvertido e delicado. Muitos jovens estão desencantados com a vida, sem perspectivas profissionais oriundos que são de famílias esfaceladas que não lhes podem dar suporte algum. Outros perguntam pelo sentido da existência e querem encontrar, na fé, respostas adequadas às suas mais profundas angústias e insatisfações. Buscam, sobretudo, referências e exemplos em que possam se espelhar para reorganizar sua caminhada. E o catequista, não raras vezes, será eleito por eles como testemunha e modelo de vida.

Enfim, para ser catequista de jovem, é necessário "educar-se" novamente na perspectiva do mundo jovem: mundo da criatividade, do questionamento que liberta, da fé operante e construtora de um mundo melhor, do afeto e da fraternidade do belo, do lúdico e do encontro com Jesus Cristo, jovem comprometido com a vida e com as grandes utopias da humanidade renovada e feliz!

Reflexão: Em sua opinião como deve ser um catequista que se dispõe a catequizar jovens?
Fonte: Pe. Vanildo de Paiva em (Formação pessoal e comunitária)